domingo, 13 de março de 2016

Contrata-se




Certas coisas na vida chegariam a ser cômicas se não fossem trágicas. No momento, eu, cidadão  de bem, formado,  pai de família, passo por um período de férias forçadas, mais conhecido como desemprego.
                                           
O tempo vai passando, a grana rareando e, um dos cunhados, sabendo da condição  já começa a pedir para levar sua avó a aula de Jiu Jitsu.  Uma cunhada pede para anotar receitas do Programa da Ana Maria Braga. A sogra já convoca semanalmente para levá-la  ao curso de Whats App.
Mas o supra sumo é quando assinamos os sites de emprego. Nesta situação econômica que o Brasil está passando é fácil demais arrumar emprego. Em alguns sites são mostradas as estatísticas das pessoas que concorrem para  uma determinada vaga. A  última que vi, para uma vaga de limpador de jaula de jabuti em uma casa de um costureiro em um bairro da  Zona Sul, tinha 655 pessoas para a vaga, 70 por cento com curso  superior os outros 30 com no mínimo um doutorado.

Estava a procura de uma vaga para porteiro. Achava estranho o fato de que nas buscas nunca era localizada esta ocupação, quando por um acaso  reparei uma vaga em que essa função era anunciada como Analista de Controle de acesso. Pensei, esta aqui deve ser para uma pessoa formada no Massachusetts, a descrição dizia que ela deveria controlar o acesso de entrada e saída das pessoas ao edifício e conferir a documentação. 

Os  benefícios eram os de sempre: vale transporte, uma vasilha Tupperware para trazer comida, etc. As exigências eram: ter  ensino superior, inglês fluente-plus-platinum-toefl, domínio de Windows Server, C++, Project, SAP, saber certificação  ISO 14000, ter certificado de Agente FIFA, Arrais Amador.

Salário de R$950, jornada de 12 horas todos os dias, folgas na sexta-feira da paixão, somente em anos bissextos, que tenham Copa do Mundo ou Olimpíadas .






sábado, 13 de dezembro de 2014

Belo Horizonte 117 anos



Cheia de antagonismos violenta e pacata com ares de interior e metrópole ao mesmo tempo.

 Com seu lindo por do sol, Parque Guanabara,Bolão, Savassi, Rua do Amen...doim, Parque das Mangabeiras, Praça Sete, Lanche na Americanas do Centro, Café Nice, Café Palhares, Praça Duque de Caxias,IAPI, 100% Concórdia, Santê, Lagoa da Pampulha, Praça da Liberdade, Maternidade do hospital São Lucas um dia o Parque da Colina.

 BH eu te amo e parabéns pelos seu 117 anos.

A maldição do silêncio


A palavra desgraça é uma das mais impopulares que existem. Muitos sequer a pronunciam, achando que, ao dizê-la, o azar pode  visitá-lo ou que o simples fato de citá-la seria uma convocação pura e simples.


Já ouvi dizer que ela come junto com as pessoas que insistem em convocá-la, que basta virar para o lado que seu prato fica vazio algumas garfadas, sem falar na figura em forma de trouxa que como uma voz fina aparece e fala com quem a convocou - "já que você me chama tanto, estou aqui." Dizem ser uma visão apavorante.


Esta  é a história de Alexandro, um rapaz jovem, batalhador, bom filho, mas que tinha um defeito grave: adorava chamar o nome da "pelada", assim como os soteropolitanos pronunciam a palavra 'porra' com profunda naturalidade, Alexandro usava  este nome maldito em seu vocabulário, diariamente.


Por mais que as pessoas o reprendessem ou lhe dissessem para não pronucia-la, não tinha jeito, ele sempre falava, fosse nas horas boas ou ruins ele não hesitava e lascava um "eh desgraça sô".


Um dia, ocorreu um fato estranho. Alexandro, ao chegar na empresa que trabalhava notou que estava sem as chaves para abri-la, era um molho grande, com várias chaves, ele lembrava que ao sair do estacionamento estava com elas. Estranhamente, caíram no piso do elevador e ele não ouviu o barulho. Alexandro não estava percebendo, mas sua vida estava cada dia mais confusa. Além de esquecer as coisas, sempre estava com a sensação de estar acompanhado.


Numa noite quente de primavera estava na sua casa fazendo algumas contas no pequeno escritório onde ficava sua mesa de estudos. Ele sem querer deixou cair no chão um grampeador, daqueles antigos, bem pesado, para sua surpresa, ao bater no chão ele não ouviu o barulho do grampeador se estatelar, e não era problema de audição, pois o seu notebook tocava a música Paint it  Black dos Rolling Stones, e ele ouvia com nitidez.
 
Alexandro manteve a calma e percebeu que algo muito estranho acontecia. Sempre que  algo caía no chão, perto dele, ele não conseguia ouvir. Passou a noite fazendo testes, desde bola de futebol até um aquário seco foram para o chão como teste, sua sorte era que estava sozinho em casa e ninguém presenciou a mixórdia que a casa havia se transformado. Ele chegou a pensar que devia estar com esquizofrenia.
 
Quando pela força do hábito ele começou a balbuciar o nome da pelada - "oh des...", antes que terminasse sentiu um arrepio na coluna que subiu até a nuca. Ele resolveu olhar para o lado e ali estava, sentada na sua frente, uma senhora com olhar sereno, carregando um trouxa de roupas na cabeça. Ele, gaguejando, perguntou o que ela queria e como havia entrado ali. Ela sorriu e disse: "Você sabe  muito bem quem eu sou, por sorte sua, você é uma pessoa boa e seu único defeito é falar o meu nome sempre, eu só não vou lhe mostrar minha verdadeira face porque, para minha tristeza, você tem um hábito que para mim não é bom, você gosta de rezar para Nossa Senhora do Rosário e nunca tira este penduricalho do pescoço, mas um moço que se diz seu mentor me deixou se aproximar de você por alguns minutos, ele queria que eu lhe desse um recado...
 
Neste momento, Alexandro estava sentindo tanto medo que não conseguiu sentir suas pernas, quando de repente tudo apagou.
 
Acordou no outro dia por volta das duas horas da tarde com uma dor de cabeça absurda, correu no escritório e viu que tudo estava arrumado, não havia nada fora do lugar, até o aquário que havia se espatifado na noite anterior estava intacto.
 
A única coisa que ainda permanecia fora do lugar era um bíblia que estava no chão, aberta no livro do apocalipse, com um marcador da festa de Nossa Senhora do Rosário.
 
Alexandro nunca contou o ocorrido para ninguém e também nunca mais falou o nome da pelada.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

É tão estranho os bons morrem Jovens

" È tão estranho os bons morrem jovens..."  ( Trecho da Música Love in The Afeternoon- Legião Urbana)


Ontem estava em casa preparando minha filha para ir a escola, quando o celular toca, no visor vejo o nome de um amigo que foi meu colega numa empresa na qual trabalhamos juntos, ao cumprimenta lo pelo nome percebo que não é ele  o meu interlocutor, infelizmente era seu sogro me relatando que meu amigo havia morrido naquela manhã, e que a esposa lembrou de mim para avisar os demais colegas e amigos que tínhamos em comum.

Mantive o equilíbrio e me concentrei em ligar para os amigos e dar a triste noticia, meu ex colega  lutava contra a mais impiedosa das doenças a cerca de um ano,  estava se recuperando de um transplante de medula e se preparava para  voltar a sua rotina de trabalho como engenheiro florestal, mas infelizmente uma metástase abreviou suas esperanças. 

A morte é estranha por mais que achemos que  temos conhecimento dela ela nos surpreende, foi difícil  ver o corpo do " Belisquete" no caixão,  abraçar a sua jovem esposa que estava com um olhar sereno também não foi fácil.

Chama lo de Belisquete não é uma falta de respeito, ele "é" um sujeito muito inteligente e adorava falar besteiras , numa das suas crises de bobeiras usou o termo belisquete e o apelido pegou.

O Cemitério Parque da Colina me é bem familiar, pois muitos amigos e parentes tem seus restos mortais guardados lá, aproveite o ensejo para visitar o túmulo de meu pai e ver como anda a conservação  do local, sempre quando vou lá faço isto, acho que é  uma forma de me enganar e fingir que estou  tranquilo.

O corpo do meu amigo seria cremado  e não pude ficar para a cerimônia final, me despedi da jovem viúva e quando cheguei no meu carro desabei a  chorar, pensando na pessoa de alto astral que nunca mais vou ver , no cara que me deu tanta atenção quando minha filha nasceu prematura e passei um aperto com ela no CTI, no seu filho de sete anos que perdeu um pai bacana, enfim meu brother  tenho a convicção que a espiritualidade superior vai te acolher da melhor maneira possível e que em breve estará trabalhando muito, e que as bênçãos do nosso mestre Jesus possam cobrir você e sua família.





terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Homem do capacete amarelo

"Não tem ninguém que mereça , Não tem coração que esqueça, Não tem pé, não tem cabeça...(Bicho de 7 cabeças)" Zeca Baleiro

Era uma manhã fria do mês de maio, o dia estava lindo, o céu apresentava várias tonalidades de tons azulados. O movimento na Avenida Antônio Carlos estava bem tranqüilo, bem diferente do
quase caos dos dias atuais.

Luiz Cláudio se sentava em um banco no jardim da clínica, saboreando um café com leite servido em uma caneca plástica, de cor marrom. O vento frio batia em seu rosto e, de longe, observava
um homem de capacete amarelo e uniforme da Telemig que caminhava em sua direção.

Aquele era um dia diferente para Luiz, estava com uma leveza e paz de espírito que há muito não sentia. O funcionário já estava ao seu lado com uma escada de madeira e fazendo anotações
em uma prancheta. Luiz olhava o infinito relembrando muitas coisas que tinha passado até aquele dia quando sua atenção foi chamada pelo homem de capacete.

Começaram a bater papo, o empregado da empreiteira perguntou se ele era funcionário da clínica, Luiz respondeu que era paciente.




Luiz era de uma família classe média, seu pai, funcionário de uma grande empresa de laticínios, e sua mãe, dona de casa. Tinham uma vida confortável, mas sem luxos maiores. Viajam a cada
dois anos para o litoral e se hospedavam em casa de parentes na praia de Carapebus no Espírito Santo. Não possuíam automóvel. Luiz e os dois irmãos mais novos estudavam em uma escola particular na região da Pampulha. Era uma família belorizontina comum.

Luiz Cláudio sempre foi muito inteligente e espirituoso, não era o primeiro da turma, mas não deixava a desejar nas notas. Se dava bem em quase todos os esportes na educação física,
sendo sempre um dos mais requisitados nas gincanas do colégio.
Sua turma era praticamente a mesma desde a quinta série.


Um dia em uma excursão do oitavo ano sobre o ciclo do Ouro, na cidade de Sabará , ocorreu o primeiro sintoma: ao observar a professora dando recados de praxe na parte da frente do especial, ele começou a enxergar um irmão idêntico a ela que fazia uma tradução simultânea por meio de sinais para surdos. Achou aquilo estranho, pois tal visão veio acompanhada por uma dor de cabeça terrível, seus olhos marejaram e quando balançou a cabeça e fixou o olhar na
professora, ela estava rindo normalmente, sem ninguém ao lado fazendo sinais.

Era uma época difícil, Luiz e a família estavam passando por dias de stress. Tinham descoberto que o pai estava com diabetes, fruto de um trauma causado por uma demissão repentina da empresa que trabalhava há vinte e seis anos.

O maior medo era com a saúde do pai, naquele tempo a diabetes era mais preocupante que nos dias atuais.

Luiz não comentou com ninguém tal visão, mas fatos dessa natureza começaram a ser
cada vez mais freqüentes. Coincidência ou não eram sempre precedidos por algum susto ou stress no âmbito familiar.
Certa vez seu irmão mais novo machucou-se no play ground da escola e ele foi
avisado em sala, ao chegar na enfermaria o irmão estava com um olho roxo e sendo encaminhado para o pronto socorro devido aos pontos que iria levar próximo ao olho. Logo que se recuperou do susto e depois de comunicar aos pais, de um orelhão que ficava na portaria da escola, Luiz viu novamente o “irmão gêmeo” da professora de história, desta vez ele usava uma roupa para safaris e falava bem baixo, a dor de cabeça insuportável veio novamente.



Lu, como muitos o chamavam, já estava no primeiro ano,era inicio dos anos 90. Adorava ir à danceterias curtir o som house, usava camisas de malha sempre com motivos de surf ou
temáticas da então famosa grife Company. Tudo corria bem naquele ano, já havia passado em todas as matérias e fazia planos para o próximo período. Era uma tarde tranqüila de dezembro quando recebeu um telefonema: a notícia era a morte de uma de suas melhores amigas num trágico acidente. A partir daquele dia as coisas pioraram, as visões foram cada vez mais freqüentes, no ano seguinte perdeu a primeira média e o pior aconteceu quando em um surto destruiu o laboratório de química da escola.

A saída da escola, a formatura que não aconteceu, a perda do grande amor da adolescência, a internação.

Com um sorriso amplo e sereno Luiz contou para o seu interlocutor parte de sua história e a descoberta da Esquizofrenia na sua vida. Não conseguiu completar o segundo grau, seus amigos
agora eram uma lembrança distante.

Naquele tempo as questões relacionadas com distúrbios mentais não eram tratadas como hoje.

Luiz confessou ao homem que há muito não tinha tais visões, ele tinha consciência de seu problema e que os medicamentos estavam ajudando na busca de uma vida quase normal e que quando saísse dali, iria retomar o rumo de sua vida. Já havia se passado quatro anos,
uma eternidade para um jovem de apenas 22. Sabia que tinha muita coisa para viver. O homem de capacete sorriu. Em alguns momentos da conversa, ele escrevia em um papel apoiado pela prancheta. Um aperto de mão selou a conversa.

O homem entrou pelos corredores da instituição levando a sua prancheta,bateu e entrou na sala do diretor geral da clínica Pinel. Deram um forte abraço, riram e lembraram do tempo da Faculdade de Medicina. O diretor disse que seu amigo estava bem com a roupa da empreiteira e, não delongando mais o assunto, o falso funcionário da Telemig entregou a folha assinada para o
diretor com todas as especificações e com a alta de Luiz Cláudio.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Três a dois (3x2)

Na minha opinião, o placar mais bonito, romântico, mítico e assustador é o 3 X 2.
O primeiro 3 X 2 que sofri na vida foi naquele jogo em que o Cerezo atravessou uma bola na intermediária da defesa e um tal de Paulo Rossi fez o favor de interceptar a jogada e fazer o gol, seria o segundo dos 3 que fizera naquela tarde... Cresci vendo e sofrendo por tabela por outro 3X2, este a minha lembrança é só por vídeos, o que não deixa de ser sofrido.
Ninguém nunca vai esquecer aquele drible que o pobre do Silvestre tomou do João Danado, outro 3X2, seria o nosso Bi. Tenho um amigo que estava neste jogo, seu ônibus voltou sem porta da Cidade Maravilhosa. Ainda bem que o Silvestre tomou aquele drible ridículo, se não nem teria conhecido este meu amigo.
Mas, terrível mesmo é quando estamos no estádio, o técnico era o mesmo que tinha dirigido o Cerezo, 1 X 0 nos bastava, mas aos 20 de jogo já tomávamos duas cacetadas no lombo, a lotação de mais de 112 mil pessoas não me permitiu sair após o segundo gol adversário. Vem o segundo tempo, show de bola. Com muita raça e amor empatamos aquela peleja, mais uma vez numa bobeira histórica, a bola cai nos pés do melhor jogador adversário e do meio de campo ele vai até a área, dribla o goleiro que hoje é político e... 3x2. P...que decepção.
Mas não só de tristeza vivemos dos 3X2,o Jogador Branco que o diga. Naquele famoso jogo que o Bebeto eternizou a comemoração em que embalava um bebê, e aquele Domingo fantástico em que o artilheiro do campeonato fez um gol de peito e decretou a virada em cima do arrogante rival...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Último Jogo

Estavam todos reunidos como de praxe, TV ligada no volume alto, os homens na sala e as mulheres “tricotando” na copa.

Este seria mais um dos jogos decisivos, das centenas que o octogenário já tinha presenciado de seu time do coração, é bem verdade que seu clube lhe deu muitas tristezas, mas nos últimos trinta anos só alegrias vieram, títulos inéditos e antes inimagináveis foram conquistados, até estádio próprio o time já tinha.

Mesmo com a idade avançada e a realização profissional e pessoal não perdera o gosto de ainda torcer pelo seu glorioso time.

O jogo começa, é uma final na casa do adversário, 30 minutos do primeiro tempo e o gol do inimigo, silêncio na sala, fim da primeira etapa. Começo da fase final, 5 minutos e o empate, festa e algazarra, gritaria e palavrões de alívio, jogo duro e difícil, se der empate o adversário fica com o título.

Vai se aproximando o final da partida quando o zagueiro em arrancada fulminante desde o meio campo avança em direção a área inimiga, faz uma tabela, dribla o goleiro, chuta a bola bate na trave, ricocheteia nas costas de um defensor e entra vagarosamente para o gol, é o apogeu, apoteose, odisséia, carnaval, vibração total, gritaria, choros, enfim mais um título.

Mas algo estava em desarranjo naquele frenesi, o grito e os palavrões do oitentão não foram ouvidos, ele continuava sentado no sofá e vestido com o manto do seu time realçado pela saliente barriga, os olhos estava fechados e no rosto um semi sorriso tranqüilo, chegava o dia que ele sempre desejou, seu filho já sabia e pressentira o que era, a esposa que se encontrava na copa próxima a sala também notara o que estava acontecendo não querendo acreditar que aquele dia havia chegado, seu marido já não estava torcendo mais por aqui, era um desejo antigo, ir embora vendo seu time do coração, a sua segunda religião, como ele se referia, muitas vezes para irritá-la.

O danado era metódico e sistemático, já estava de barba feita e com a camisa do time, em seu escritório no segundo andar da casa tinha um envelope com todas as instruções para o sepultamento e até os funerais ele já havia pagado, queria poupar a família de pessoas inescrupulosas no dia que ele viesse a faltar.

Um amigo ainda tentou reanimá-lo o filho sem reação sabia que não era necessário, seu pai por algum motivo sempre cantava a pedra de como as coisas iriam acontecer, muitas eram óbvias, outras nem tanto, algumas nunca aconteceram, mas aquele dia parecia uma profecia, e de alguma maneira seu filho estava consolado, sabia que era desejo de seu pai matar a saudade de uma turminha que já não via há muito tempo e rever principalmente o pai dele, a pessoa que o ensinara entra outras coisas... a torcer pelo time do coração.

sábado, 27 de junho de 2009

Você é descendente de que?

Outro dia estava trocando de canal e resolvi parar em um que reprisava o Programa Altas Horas, como de costume haviam convidados, na maioria artistas Globais e duas atrações musicais. Sergio Groisman sempre sem graça e com intervenções e quadros muita vezes beirando a deselegância. Faz algum tempo eram colocados atores para deixar os convidados em situação de aperto, certa ocasião uma atriz misturada na platéia interrompeu o cantor Leonardo dizendo que esperava um filho dele, o cantor ficou notadamente constrangido, só ficou aliviado depois do desfecho da brincadeira.
Serginho Groisman é somente uma sombra daquele apresentador do extinto Programa Livre, atração que fazia muita sucesso entre os adolescentes nos anos 90, com temas realmente interessantes que tinha uma dose de criatividade e não usava da máquina Global para garantir seu Ibope.
Mas o que me chamou atenção no dia da reprise foi que em determinado momento, Sérgio Groisman começou a perguntar aos convidados qual era a origem deles, uns respondiam que era francês com Espanhol, outro Português com alemão, quando foi a vez do vocalista do Exalta samba , um negro legitimo, levou a pergunta na brincadeira e de uma ironia inteligente, começou a falar que era uma mistura de sueco e logo interrompeu e fez uma expressão como se quisesse dizer , que palhaçada, o restante do conjunto também respondeu com bastante sabedoria dizendo que eram misturas de baiano com mineiro.Acho que ninguém deve esconder as origens, na minha família mesmo tem filhos de pai italiano e mãe mineira, mas somos todos brasileiros, eu não me considero um afro descendente me considero um brasileiro.O fato de ser afro descendente , bisneto de russo ou filho de jamaicano não torna ninguém maior ou melhor, como muitos pensam.
Há muito não assistia o Altas Horas e espero continuar por mais tempo.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Recordes

“ Olimpíadas de Pequim 2008, Michel Fred Phelps II, torna-se o maior ganhador de medalhas de ouro em um única edição de jogos olímpicos.”

Anos 90, tradicional bairro de Santa Tereza, conhecido entre outras coisas, por ser o berço do Clube da Esquina e famoso por seus botecos. Dois adolescentes, hoje trintões, entram num estabelecimento, o bar do “seu” Raimundo.

Não sentam à mesa, preferem ser servidos no balcão, a euforia adolescente se mistura com a áurea de freqüentadores de boteco.

Começam a beber, a princípio o ritmo é intenso, um deles, o mais alto em uma das vezes que leva o copo lagoinha à boca, resolve virá-lo de uma vez, o outro acha graça, e sem conter o riso, cospe num ato automático o líquido que estava em sua boca.

Pouco menos de dez minutos, já tinham consumido uma garrafa, coisa incomum, pela quantidade, pelo tipo de bebida e pelo tempo que se esgotara, resolvem pagar à conta.

Saem do bar menos eufóricos do que chegaram, os passos são lentos, os dois parecem em transe, de repente um deles pára¹, e faz um sinal com a mão, indicando espera, parecia que iria passar mal, foi aí que veio o som forte, seu amigo também naquele transe, após uma garrafa, também emite aquele som oco e incomum.

Os dois riem imbecilmente com os olhos marejados, uma sensação de alívio paira no ar, apesar do clima, não poderiam se considerar vencedores...







Campeonato de arroto é coisa séria, novos critérios deveriam ser estabelecidos para apontar um vencedor, aquela garrafa de 1,25 litros de Coca Cola é muito grande, não há mesada que dure, mesmo para uma disputa tão séria.


1- Não quis seguir a nova regra ortográfica (risos).

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O Tempo

“O tempo é o senhor da razão”.
Um tio me disse que esta frase é do Fernando Collor.

Nossa e esse recreio que não chega...
Puxa já acabou o intervalo, nem brinquei direito. Putz, hoje tem 6º horário, vai custar a dar meio dia e dez, ai meu Deus, são os passos da minha mãe, vai abrir a porta pra me acordar, nossa já são seis da manhã, como a noite passou rápido.
Quem inventou escola?

Ai meu Deus que missa demorada, não entendo nada que este padre tá falando, que sotaque estranho, acho que ele é da Holanda.
Oba! Sábado chegou, festinha de 15 anos, quase dois meses esperando, nossa como a festa voou.
Cursinho pré vestibular é uma mer...Domingo oito da manhã e eu aqui.
Quem inventou vestibular?

Nossa que dia corrido, são dez e dez da noite e esse cara que não faz chamada nem fu... Vou perder o ônibus das dez e meia.
Quem inventou faculdade?

O que tá acontecendo? Que barulho é esse? Ah é o celular despertando!!!! Quatro e quarenta e cinco da matina.
Nossa, quem inventou Check in?

Humm, falta mais de um mês para o carnaval, a semana santa cai em qual mês mesmo?
Tô precisando de férias, falta quanto tempo para eu aposentar?

Que saudade do tempo do colégio.

domingo, 25 de janeiro de 2009

B.B.B.- BIG BESTEROL BRASIL 9 UNREALITY SHOW

Entra ano sai ano e sempre em janeiro começa o mais famoso dos reality shows brasileiros, acho que é o único, quem apresenta é o ex marido da Giulia Gam, ouvi falar que ele já até quebrou a mão esmurrando o portão da casa dela, ele é o mesmo jornalista, que em eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas faz alguns textos melosos e muitas vezes ridículos, editados em estúdios no país do espetáculo.
Nem parece ser o mesmo profissional que fez a cobertura histórica da queda do Muro de Berlim, e pensar que a TV Philco Ford da minha casa estava estragada naquele dia.
Dou mão à palmatória, já assisti e vibrei em versões anteriores do programa, mas com o passar do tempo, enjoei, hoje em dia nem suporto ouvir a voz do apresentador. Recordo-me de uma prova para escolha do líder, em que pessoas testavam sua resistência, grudadas no teto, através daquela cola famosa e super potente, é bom lembrar que eram presas pelo solado por um calçado especial, o que mais me chamou a atenção, era o aviso com voz de tragédia: “Por favor não tentem fazer isto em casa, estas pessoas são profissionais treinados e estão acostumados com este procedimento”, puxa vida, será que existe alguém que tira seu sustento pregando pessoas de ponta cabeça em tetos, usando super cola?
Enfim, a força do dinheiro e da mídia é tremenda, e todos sabem que o jornalista ganha uma “baba” para apresentar este Big Lixo, e os anunciantes se “acotovelam” para anunciarem neste besteirol, sem falar nos milhões de brasileiros de todas as classes que são espectadores assíduos.
Já ia me esquecendo, será quem ganhou a última prova do líder?

sábado, 24 de janeiro de 2009

Paranóia numérica

Acho muito interessante como os números norteiam a sociedade e o status que proporcionam.
Na minha adolescência lembro-me de alguns colegas de escola “tirando onda” por que tinham aparelho de vídeo cassete G21 da Panasonic. Ficávamos de boca aberta com o opala 250 s, quando foi lançado o Diplomata 4.1 s nem se fala. Vídeo cassete tinha que ser de 4 cabeças, alguns tinham 2, apesar de embolarem as fitas, é o que diziam.
Outro dia um colega de empresa mostrou-se preocupado, por que haviam lançado uma máquina digital com mais capacidade que a sua, o mais engraçado é que a máquina dele, era recém comprada e super moderna, com resolução de 8 pixels, é bom lembrar, mais que 8 pixels é para um camarada que deseja imprimir anúncios para traseira de ônibus. As pessoas começam com uma verdadeira paranóia numérica, pen drives, por exemplo, são encontrados com capacidade de armazenamento de 1 giga, 2 até 8 gigas, quando terminar este texto provavelmente já vai ter surgido um de 1 tera, recentemente colegas reuniram para comprar pen drives com preços mais acessíveis alguns da lista nem sabiam a utilidade de um pen drive. Se formos falar de aparelhos de TV então, passei a maior parte da minha vida assistindo a programação numa TV de 21” e como foram bons estes anos, quando solteiro comprei um de 14” para meu quarto, ganhei uma de 29” quando casei e cheguei a cogitar fazer um consórcio de uma de 32”, tenho amigos que irão comprar de 42”, puxa vida 42 polegadas, e pensar que assisti ao tetra campeonato num de 21”.
Carros existem para todos os gostos e bolsos, de modelos 1.0, 1.4, 1.6, 1.8, 2.0 etc., Que obviamente tem o consumo compatível com os números de suas cilindradas e com o número de reais que os proprietários se dispõem a gastar com combustível, impostos manutenção o interessante que muitos possuem veículos com potência e valores altos, mas seu holerite no final do mês é de uma potência inversamente proporcional, isto será tema para um texto inteiro e para outra oportunidade.
Na verdade somos quase todos consumidos pelo consumo, pobres consumidores, alguns com a conta recheada, mas todos pobres.

domingo, 18 de janeiro de 2009

SUBSTANTIVO COMUM X SUBSTANTIVO PRÓPRIO

Substantivo comum é aquele que designa os seres de uma espécie de forma genérica

Substantivo próprio é aquele que designa um ser específico, determinado, individualizando-o

Existem lâminas de barbear e existe o Gillete
Existem palhas de aço e existe o Bombril
Existem chinelos de dedo e existem Havaianas
Existem maratonistas e existem Quenianos
Existem hinos nacionais e existe a Marselhesa
Existem automóveis e existe a Ferrari
Existem amidos de milho e existe a Maizena
Existem depuradores de ar e existe o Suggar
Existem refrigerantes e existe a Coca Cola
Existiram pontas esquerdas e existiu o Éder
Existem ondas e existe Pipeline
Existem surfistas e existe o Kelly
Existe a humildade e existiu o Chico
Existem arquitetos e existe o Oscar
Existe paixão e existe o Atlético
Existem esposas e existe a Lu
Existem relógios e existe o G-Shock
Existem mães e existe a Nita
Existiram mega bandas de rock e existiu o Pink Floyd
Existiram bandas nacionais e existiu a Legião
Existiram 37 brasileirões existiu o Primeiro
Existiram pilotos existiu o Ayrton
Existem pais corujas existiu o Olívio
Existem vermes existe o Wright
Existe tudo existe Deus
Existem países existe o Brasil
Existem torcedores existem os Atleticanos

domingo, 11 de janeiro de 2009

Isto não está acontecendo comigo

1992, neste ano completei meus 18 anos de idade, sonho de independência, liberdade, maioridade, mas nem tudo eram flores, tinha um fantasma chamado exército.

As histórias e lendas sobre o exército e seus processos de alistamento, apresentação e convocação eram sempre contadas, só de pensar me dava um frio na barriga, e a barriga e sensações que ela muitas vezes nos proporciona que vai ser o pilar desta história.

No colégio onde estudava eu tinha dois colegas que iriam completar 18 anos naquele ano, estava chegando à época do alistamento, que naquele tempo era feito no centro de Belo Horizonte, era necessário passar a noite numa longa fila, para conseguir efetuar o alistamento. Combinamos, eu e meus dois colegas de encontramos no centro, e ficarmos juntos na fila. Tomei um banho chamei um táxi e sai de casa carregando um envelope pardo com documentos necessários para aquela empreitada, conversei muito com o taxista, me recordei de uma frase que ele havia dito e que uso até hoje, ele disse que numa cidade como B.H. depois da meia noite, não aparece nada que presta na rua, puxa com fui lembrar disto agora. Voltando a história, encontrei com meus dois colegas, Sandro e Shosas, na verdade o Shosas tinha o nome de Alexandre, mas isto não vem ao caso.

Eu e meus colegas fomos caminhando em direção a fila, de longe já avistamos algumas pessoas já postadas, ao aproximarmos paramos em frente a uns cidadãos vestindo gorros e enrolados com cobertores cinza aqueles usados por transportadoras para proteger móveis em mudanças, ao pararmos na frente dessas pessoas, fomos muito bem recebidos com palavras de carinho e fraternidade, achamos que eles eram os últimos da fila e na verdade eram os primeiros, depois daquela recepção calorosa fomos procurar a outra ponta daquela fila, andamos quase um quarteirão e sentamos ali no chão mesmo, aquela noite seria longa. Mal tínhamos sentado, eu com meu envelope pardo impecável, comecei a sentir algo estranho, a sensação veio bem sutil e veio crescendo. Puta que pariu eu estava com um principio de dor de barriga, não , não podia ser por que eu, meu Deus, se existisse uma escala de 0 a 5 para medir uma dor de barriga, aquela indicava uma escala que possivelmente, teriam que reunir os especialistas em escala de dor de barriga, pois a gradação daquele desconforto era 6,5. Nossa comecei a rezar, e rezei muito, rezava um pai nosso, uma Ave Maria e uma oração para meu anjo da Guarda,sucessivamente, meu corpo estava todo arrepiado,e eu não sou de arrepiar, meu olhos marejam quando ouço histórias de fantasmas,quando o Galo é campeão, e o hino é tocado choro muito, mas o fenômeno do arrepio não me visita sempre, é a coisa estava feia para mim, de madrugada, numa noite fria e desandado, deixei meu envelope pardo impecável com o Shosas, levantei me, lembro de uns caras gritando, me chamando de vara pau e outras coisas, mas naquela altura do campeonato tudo o que queria era me aliviar, fui numa rua escura e tentei uma moita, mas meu corpo ou cérebro ainda tinham um mecanismo de dignidade, e interviram não permitindo aquela operação, simplesmente a escotilha de lançar torpedos não funcionou, mas a caldeira daquele navio de 1,93 m, estava a todo vapor, e meu mecanismo de dignidade iria entrar em colapso a qualquer momento, de longe vi um posto de gasolina, lembro até o nome: POSTO ADALBERTO FERRAZ.

O estabelecimento estava fechado e escuro, lá logicamente tinha um banheiro, vi um vigia e pedi com toda humildade do mundo: “Moço estou na fila do alistamento e preciso com urgência de um banheiro, por favor. O Moço muito solidário me mostrou um banheiro, típico de fundo de posto de gasolina, eu ainda estava lúcido, fiz um reconhecimento e vi que não tinha papel higiênico, antes de começar a operação, meti minha carona preta para fora do banheiro e perguntei para aquele tomador de conta de patrimônio dos outros, se ele tinha papel higiênico, o pobre infeliz me ofereceu um papel que enrolava um biscoito frito, o papel era puro óleo, recusei educadamente , dentro do banheiro haviam uns jornais, mas enfim a hora do lançamento estava próxima, eu estava com um alien dentro de mim que precisava sair, me lembrei que estava calçando meias, ainda bem que havia ido de meias, eram umas meias do Paraguai , com aquele jacarezinho da Lacoste, eles ficaram para trás naquele noite dos horrores.

O resto da história não tem muita emoção, passamos a noite na fila até amanhecer, cheguei em casa naquele mesmo dia quase na hora do almoço.O curioso desta história é que meu pai ao encontrar comigo, disse que tinha sonhado comigo e que eu estava querendo cagar no meio da rua ele disse que não era para eu fazer cocô ali...

Vídeo Cassete

Em janeiro de 1987 minha família estava em polvorosa, estávamos todos empolgados com os festejos das bodas de ouro dos meus avós.
Foi um acontecimento, vieram parentes de outras cidades, o salão do melhor clube do bairro foi alugado para a festa, me lembro até hoje da roupa que comprei com meu pai para ir ao evento, um tênis preto e amarelo, uma calça jeans preta com costuras vermelhas, e uma camisa preta e amarela num tecido brilhante, esta camisa fazia inveja a qualquer bicheiro da época, lembro que minha mãe e minha irmãs não gostaram muito da compra, mesmo para época a roupa era um pouco exagerada.

Enfim, tivemos todos os festejos, missa, festa, meus avós ganharam presentes de todos os tipos e gostos. A festa foi filmada por algum amigo mais abonado de meu avô, naquela época filmava se a festa e no final quem tinha feito este serviço entregava a fita e pronto, não tinha muita edição ou coisa parecida. Mas um detalhe muito interessante, ninguém da família tinha vídeo cassete, era um artigo de luxo, muitos diziam que era do preço de um carro, como então veríamos a fita daquela apoteose da nossa família? A solução veio provavelmente de mais um amigo abonado de meu avô, ele emprestou um vídeo cassete para que nós pudéssemos ver a tal sonhada fita.

O aparelho foi instalado na televisão da casa da minha vó, ainda lembro como se fosse hoje, aquele carpete caramelo, dois sofás e a sala lotada de crianças, e aquele sonho de consumo uma revolução na época instalado no móvel da televisão. Eram poucos que tinha vídeo cassete, alugar um filme então e achar uma locadora, era mais raro ainda, aproveitando a oportunidade de termos um vídeo à nossa disposição, meu pai conseguiu através de um amigo do banco em que trabalhava, uma indicação de uma locadora na Avenida Carandaí no bairro funcionários, eu e minha irmã mais velha tivemos a missão de ir alugar uns filmes para serem vistos junto com o pacotão da fita das bodas, seria um verdadeiro festival de vídeo, ao chegarmos à locadora ficamos deslumbrados com a quantidade de títulos disponíveis, alugamos dois filmes: Ases Indomáveis (Top Gun) e A Profecia III, a sacola da locadora era de um material parecido com couro, saímos do estabelecimento felizes da vida era um sonho burguês, naquele final de semana, estávamos nos sentindo ricos com aquela bolsa de locadora. A sessão de filmes foi ótima, aquelas cenas de Top Gun são belíssimas e o medo do filme A profecia nem se fala, a fita das bodas é uma história a parte, quem estava no comando do vídeo acelerava ou voltava a fita com as imagens na tela, aquilo era um verdadeira festa, a galera até chorava de rir ao se ver acelerado ou em câmera lenta, bons tempos aqueles, junto com o vídeo, o amigo do meu avô, emprestou um fita com a missa do orfanato do grupo Corpo, achei belíssimo assistir aquela peça, naquele final de semana fiquei sabendo que o responsável pelo grupo corpo era um tal de Rodrigo Pederneiras, nunca esqueci disto, memória é uma coisa louca né!!!

Na segunda feira meu pai chegou do serviço bravo: “Pô vocês tinham que comentar na locadora que o vídeo era emprestado”...