quarta-feira, 14 de abril de 2010

Três a dois (3x2)

Na minha opinião, o placar mais bonito, romântico, mítico e assustador é o 3 X 2.
O primeiro 3 X 2 que sofri na vida foi naquele jogo em que o Cerezo atravessou uma bola na intermediária da defesa e um tal de Paulo Rossi fez o favor de interceptar a jogada e fazer o gol, seria o segundo dos 3 que fizera naquela tarde... Cresci vendo e sofrendo por tabela por outro 3X2, este a minha lembrança é só por vídeos, o que não deixa de ser sofrido.
Ninguém nunca vai esquecer aquele drible que o pobre do Silvestre tomou do João Danado, outro 3X2, seria o nosso Bi. Tenho um amigo que estava neste jogo, seu ônibus voltou sem porta da Cidade Maravilhosa. Ainda bem que o Silvestre tomou aquele drible ridículo, se não nem teria conhecido este meu amigo.
Mas, terrível mesmo é quando estamos no estádio, o técnico era o mesmo que tinha dirigido o Cerezo, 1 X 0 nos bastava, mas aos 20 de jogo já tomávamos duas cacetadas no lombo, a lotação de mais de 112 mil pessoas não me permitiu sair após o segundo gol adversário. Vem o segundo tempo, show de bola. Com muita raça e amor empatamos aquela peleja, mais uma vez numa bobeira histórica, a bola cai nos pés do melhor jogador adversário e do meio de campo ele vai até a área, dribla o goleiro que hoje é político e... 3x2. P...que decepção.
Mas não só de tristeza vivemos dos 3X2,o Jogador Branco que o diga. Naquele famoso jogo que o Bebeto eternizou a comemoração em que embalava um bebê, e aquele Domingo fantástico em que o artilheiro do campeonato fez um gol de peito e decretou a virada em cima do arrogante rival...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Último Jogo

Estavam todos reunidos como de praxe, TV ligada no volume alto, os homens na sala e as mulheres “tricotando” na copa.

Este seria mais um dos jogos decisivos, das centenas que o octogenário já tinha presenciado de seu time do coração, é bem verdade que seu clube lhe deu muitas tristezas, mas nos últimos trinta anos só alegrias vieram, títulos inéditos e antes inimagináveis foram conquistados, até estádio próprio o time já tinha.

Mesmo com a idade avançada e a realização profissional e pessoal não perdera o gosto de ainda torcer pelo seu glorioso time.

O jogo começa, é uma final na casa do adversário, 30 minutos do primeiro tempo e o gol do inimigo, silêncio na sala, fim da primeira etapa. Começo da fase final, 5 minutos e o empate, festa e algazarra, gritaria e palavrões de alívio, jogo duro e difícil, se der empate o adversário fica com o título.

Vai se aproximando o final da partida quando o zagueiro em arrancada fulminante desde o meio campo avança em direção a área inimiga, faz uma tabela, dribla o goleiro, chuta a bola bate na trave, ricocheteia nas costas de um defensor e entra vagarosamente para o gol, é o apogeu, apoteose, odisséia, carnaval, vibração total, gritaria, choros, enfim mais um título.

Mas algo estava em desarranjo naquele frenesi, o grito e os palavrões do oitentão não foram ouvidos, ele continuava sentado no sofá e vestido com o manto do seu time realçado pela saliente barriga, os olhos estava fechados e no rosto um semi sorriso tranqüilo, chegava o dia que ele sempre desejou, seu filho já sabia e pressentira o que era, a esposa que se encontrava na copa próxima a sala também notara o que estava acontecendo não querendo acreditar que aquele dia havia chegado, seu marido já não estava torcendo mais por aqui, era um desejo antigo, ir embora vendo seu time do coração, a sua segunda religião, como ele se referia, muitas vezes para irritá-la.

O danado era metódico e sistemático, já estava de barba feita e com a camisa do time, em seu escritório no segundo andar da casa tinha um envelope com todas as instruções para o sepultamento e até os funerais ele já havia pagado, queria poupar a família de pessoas inescrupulosas no dia que ele viesse a faltar.

Um amigo ainda tentou reanimá-lo o filho sem reação sabia que não era necessário, seu pai por algum motivo sempre cantava a pedra de como as coisas iriam acontecer, muitas eram óbvias, outras nem tanto, algumas nunca aconteceram, mas aquele dia parecia uma profecia, e de alguma maneira seu filho estava consolado, sabia que era desejo de seu pai matar a saudade de uma turminha que já não via há muito tempo e rever principalmente o pai dele, a pessoa que o ensinara entra outras coisas... a torcer pelo time do coração.

sábado, 27 de junho de 2009

Você é descendente de que?

Outro dia estava trocando de canal e resolvi parar em um que reprisava o Programa Altas Horas, como de costume haviam convidados, na maioria artistas Globais e duas atrações musicais. Sergio Groisman sempre sem graça e com intervenções e quadros muita vezes beirando a deselegância. Faz algum tempo eram colocados atores para deixar os convidados em situação de aperto, certa ocasião uma atriz misturada na platéia interrompeu o cantor Leonardo dizendo que esperava um filho dele, o cantor ficou notadamente constrangido, só ficou aliviado depois do desfecho da brincadeira.
Serginho Groisman é somente uma sombra daquele apresentador do extinto Programa Livre, atração que fazia muita sucesso entre os adolescentes nos anos 90, com temas realmente interessantes que tinha uma dose de criatividade e não usava da máquina Global para garantir seu Ibope.
Mas o que me chamou atenção no dia da reprise foi que em determinado momento, Sérgio Groisman começou a perguntar aos convidados qual era a origem deles, uns respondiam que era francês com Espanhol, outro Português com alemão, quando foi a vez do vocalista do Exalta samba , um negro legitimo, levou a pergunta na brincadeira e de uma ironia inteligente, começou a falar que era uma mistura de sueco e logo interrompeu e fez uma expressão como se quisesse dizer , que palhaçada, o restante do conjunto também respondeu com bastante sabedoria dizendo que eram misturas de baiano com mineiro.Acho que ninguém deve esconder as origens, na minha família mesmo tem filhos de pai italiano e mãe mineira, mas somos todos brasileiros, eu não me considero um afro descendente me considero um brasileiro.O fato de ser afro descendente , bisneto de russo ou filho de jamaicano não torna ninguém maior ou melhor, como muitos pensam.
Há muito não assistia o Altas Horas e espero continuar por mais tempo.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Recordes

“ Olimpíadas de Pequim 2008, Michel Fred Phelps II, torna-se o maior ganhador de medalhas de ouro em um única edição de jogos olímpicos.”

Anos 90, tradicional bairro de Santa Tereza, conhecido entre outras coisas, por ser o berço do Clube da Esquina e famoso por seus botecos. Dois adolescentes, hoje trintões, entram num estabelecimento, o bar do “seu” Raimundo.

Não sentam à mesa, preferem ser servidos no balcão, a euforia adolescente se mistura com a áurea de freqüentadores de boteco.

Começam a beber, a princípio o ritmo é intenso, um deles, o mais alto em uma das vezes que leva o copo lagoinha à boca, resolve virá-lo de uma vez, o outro acha graça, e sem conter o riso, cospe num ato automático o líquido que estava em sua boca.

Pouco menos de dez minutos, já tinham consumido uma garrafa, coisa incomum, pela quantidade, pelo tipo de bebida e pelo tempo que se esgotara, resolvem pagar à conta.

Saem do bar menos eufóricos do que chegaram, os passos são lentos, os dois parecem em transe, de repente um deles pára¹, e faz um sinal com a mão, indicando espera, parecia que iria passar mal, foi aí que veio o som forte, seu amigo também naquele transe, após uma garrafa, também emite aquele som oco e incomum.

Os dois riem imbecilmente com os olhos marejados, uma sensação de alívio paira no ar, apesar do clima, não poderiam se considerar vencedores...







Campeonato de arroto é coisa séria, novos critérios deveriam ser estabelecidos para apontar um vencedor, aquela garrafa de 1,25 litros de Coca Cola é muito grande, não há mesada que dure, mesmo para uma disputa tão séria.


1- Não quis seguir a nova regra ortográfica (risos).

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O Tempo

“O tempo é o senhor da razão”.
Um tio me disse que esta frase é do Fernando Collor.

Nossa e esse recreio que não chega...
Puxa já acabou o intervalo, nem brinquei direito. Putz, hoje tem 6º horário, vai custar a dar meio dia e dez, ai meu Deus, são os passos da minha mãe, vai abrir a porta pra me acordar, nossa já são seis da manhã, como a noite passou rápido.
Quem inventou escola?

Ai meu Deus que missa demorada, não entendo nada que este padre tá falando, que sotaque estranho, acho que ele é da Holanda.
Oba! Sábado chegou, festinha de 15 anos, quase dois meses esperando, nossa como a festa voou.
Cursinho pré vestibular é uma mer...Domingo oito da manhã e eu aqui.
Quem inventou vestibular?

Nossa que dia corrido, são dez e dez da noite e esse cara que não faz chamada nem fu... Vou perder o ônibus das dez e meia.
Quem inventou faculdade?

O que tá acontecendo? Que barulho é esse? Ah é o celular despertando!!!! Quatro e quarenta e cinco da matina.
Nossa, quem inventou Check in?

Humm, falta mais de um mês para o carnaval, a semana santa cai em qual mês mesmo?
Tô precisando de férias, falta quanto tempo para eu aposentar?

Que saudade do tempo do colégio.

domingo, 25 de janeiro de 2009

B.B.B.- BIG BESTEROL BRASIL 9 UNREALITY SHOW

Entra ano sai ano e sempre em janeiro começa o mais famoso dos reality shows brasileiros, acho que é o único, quem apresenta é o ex marido da Giulia Gam, ouvi falar que ele já até quebrou a mão esmurrando o portão da casa dela, ele é o mesmo jornalista, que em eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas faz alguns textos melosos e muitas vezes ridículos, editados em estúdios no país do espetáculo.
Nem parece ser o mesmo profissional que fez a cobertura histórica da queda do Muro de Berlim, e pensar que a TV Philco Ford da minha casa estava estragada naquele dia.
Dou mão à palmatória, já assisti e vibrei em versões anteriores do programa, mas com o passar do tempo, enjoei, hoje em dia nem suporto ouvir a voz do apresentador. Recordo-me de uma prova para escolha do líder, em que pessoas testavam sua resistência, grudadas no teto, através daquela cola famosa e super potente, é bom lembrar que eram presas pelo solado por um calçado especial, o que mais me chamou a atenção, era o aviso com voz de tragédia: “Por favor não tentem fazer isto em casa, estas pessoas são profissionais treinados e estão acostumados com este procedimento”, puxa vida, será que existe alguém que tira seu sustento pregando pessoas de ponta cabeça em tetos, usando super cola?
Enfim, a força do dinheiro e da mídia é tremenda, e todos sabem que o jornalista ganha uma “baba” para apresentar este Big Lixo, e os anunciantes se “acotovelam” para anunciarem neste besteirol, sem falar nos milhões de brasileiros de todas as classes que são espectadores assíduos.
Já ia me esquecendo, será quem ganhou a última prova do líder?

sábado, 24 de janeiro de 2009

Paranóia numérica

Acho muito interessante como os números norteiam a sociedade e o status que proporcionam.
Na minha adolescência lembro-me de alguns colegas de escola “tirando onda” por que tinham aparelho de vídeo cassete G21 da Panasonic. Ficávamos de boca aberta com o opala 250 s, quando foi lançado o Diplomata 4.1 s nem se fala. Vídeo cassete tinha que ser de 4 cabeças, alguns tinham 2, apesar de embolarem as fitas, é o que diziam.
Outro dia um colega de empresa mostrou-se preocupado, por que haviam lançado uma máquina digital com mais capacidade que a sua, o mais engraçado é que a máquina dele, era recém comprada e super moderna, com resolução de 8 pixels, é bom lembrar, mais que 8 pixels é para um camarada que deseja imprimir anúncios para traseira de ônibus. As pessoas começam com uma verdadeira paranóia numérica, pen drives, por exemplo, são encontrados com capacidade de armazenamento de 1 giga, 2 até 8 gigas, quando terminar este texto provavelmente já vai ter surgido um de 1 tera, recentemente colegas reuniram para comprar pen drives com preços mais acessíveis alguns da lista nem sabiam a utilidade de um pen drive. Se formos falar de aparelhos de TV então, passei a maior parte da minha vida assistindo a programação numa TV de 21” e como foram bons estes anos, quando solteiro comprei um de 14” para meu quarto, ganhei uma de 29” quando casei e cheguei a cogitar fazer um consórcio de uma de 32”, tenho amigos que irão comprar de 42”, puxa vida 42 polegadas, e pensar que assisti ao tetra campeonato num de 21”.
Carros existem para todos os gostos e bolsos, de modelos 1.0, 1.4, 1.6, 1.8, 2.0 etc., Que obviamente tem o consumo compatível com os números de suas cilindradas e com o número de reais que os proprietários se dispõem a gastar com combustível, impostos manutenção o interessante que muitos possuem veículos com potência e valores altos, mas seu holerite no final do mês é de uma potência inversamente proporcional, isto será tema para um texto inteiro e para outra oportunidade.
Na verdade somos quase todos consumidos pelo consumo, pobres consumidores, alguns com a conta recheada, mas todos pobres.